O Reiki e o Sagrado

  

* Artigo da Publicação:  Revista Encontros Teológicos | Florianópolis | V.36 | N.1 | Jan.-Abr. 2021 | p. 243-258  Link: Publicação Original

The Reiki and the sacred

Fabricio Possebon*

Universidade Federal da Paraíba

Renata Shirley da Silva Ferreira**

Universidade Federal da Paraíba

Recebido em: 28/09/2019. Aceito em: 06/12/2019.

Resumo: Nosso objetivo neste artigo é estabelecer um diálogo entre o Reiki e o sagrado. O Reiki é uma prática terapêutica de imposição de mãos, descoberta por Mikao Usui, no começo do século XX. A pala- vra Reiki é dividida em duas partes, REI “a energia do universo”, onde estão inseridos todas as coisas e KI “energia vital”, a energia que dá vida ao corpo. Consiste no direcionamento desta energia para o corpo da pessoa que recebe a aplicação. Uma vez que o Reiki lida com o sagrado nas relações com o espaço sagrado, nos rituais de iniciação, no uso dos símbolos sagrados faz-se necessário esse estudo. Neste artigo trataremos essas relações, verificando que o Reiki apesar de ter uma conduta religiosa, não está necessariamente vinculado a uma religião, mostrando assim a sua importância no estudo das Ciências das Religiões.

Palavras-chave: Reiki. Religião. Sagrado.

Abstract: Our goal in this article is to establish a dialogue between reiki and the sacred. Reiki is a therapeutic practice of laying on hands, systematized by Mikao

* Doutor em Letras (Universidade Federal da Paraíba, UFPB, João Pessoa, 2007). Mestre em Letras Clássicas (Universidade de São Paulo, USP, São Paulo, 2000). Graduado em Letras – Grego e Português (Universidade de São Paulo, USP, São Paulo, 1999). Graduado em Engenharia Civil (Pontifícia Universidade Católica de Campinas PUCCAMP, Campinas, 1985). Professor no Programa de Pós-graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba, UFPB, João Pessoa.

E-mail: fabriciopossebon@gmail.com

** Doutoranda em Ciências das Religiões (Universidade Federal da Paraíba, UFPB, João Pessoa). Mestre em Ciências das Religiões (Universidade Federal da Paraíba, UFPB, João Pessoa, 2018). Pós-Graduada em Naturologia, Terapias Naturais e Holísticas (Faculdade Estratego, João Pessoa, 2017). Bacharel em Filosofia (Universidade Federal da Paraíba, UFPB, João Pessoa, 2006).

E-mail: renatashirley@hotmail.com

Encontros Teológicos | Florianópolis | V.36 | N.1 | Jan.-Abr. 2021 | p. 243-258

Usui in the early twentieth century. The word Reiki is divided into two parts, REI “the energy of the universe”, where all things are inserted and KI “vital energy”, is the energy that gives life to the body. It consists of directing this energy to the body of the person receiving the application. Since Reiki deals with the sa- cred in relations with the sacred space, with the initiation rituals, with the use of the sacred symbols this study is necessary. In this article we will deal with these relationships, noting that reiki, despite having a religious conduct, is not necessarily linked to a religion, thus showing its importance in the study of the sciences of religions.

Keywords: Reiki. Religion. Sacred.

1 Introdução

“O uso da imposição das mãos para tratamento de doenças humanas data de milhares de anos”1. Podemos encontrar escritos egípcios por volta de 1552 a.C, em que são descritos o uso da imposição das mãos no tratamento médico. Os gregos, por sua vez, faziam uso do toque terapêutico em seus templos (GERBER, 2007). Na Bíblia, encontramos várias referências deste uso, em que Jesus com o uso das mãos realiza- va curas. Várias referências, em diversas épocas da História podem ser encontradas mencionando o uso da imposição de mãos como um recurso terapêutico, desde tempos mais remotos até a atualidade.

Dentre esses métodos por imposição das mãos, está o Reiki, que foi sistematizado por Mikao Usui, no começo do século XX, após pesquisar sobre os métodos que o Buda e o Cristo usavam para realizar curas. “Usui alegava que o conhecimento do que ele mesmo chamou de Reiki era comum na Índia na época de Buda (Sidarta Gautama) e fazia parte também dos ensinamentos do antigo Budismo Tibetano”2. Para as Ciências das Religiões, o estudo de outras culturas foi um dos componentes importantes para sua consolidação e constituição:

O longo caminho do estudo das religiões na direção da sua formação programática e institucionalização é marcado por duas tendências prin- cipais inter-relacionadas, a saber: (a) o crescente conhecimento sobre outras culturas, inclusive suas características religiosas; (b) a crescente submissão do estudo das religiões ao pensamento científico-racional em desfavor das abordagens apologéticas e exigências dogmáticas3.

 

1GERBER, Richard. Medicina Vibracional: uma medicina para o futuro.São Paulo:Cultrix, 2007.p. 233.

2GERBER, Richard. Um guia prático de Medicina Vibracional. São Paulo: Cultrix, 2000.p. 413.

A busca pelo conhecimento de “outras culturas” ocasionou um crescente desenvolvimento e estudo dessas e suas religiões, bem como acesso e “tradução dos seus textos sagrados” (USARSKI, 2006, p. 21). Dentre estas está o Budismo, que está intimamente ligado ao Reiki uma vez que, Mikao Usui, decodificador do Reiki, era monge budista e como citado anteriormente, há relatos de que a prática do Reiki era comum no budismo tibetano.

O Reiki, considerado como uma prática complementar de saúde auxilia no alívio das emoções, como medo, raiva e tristeza. Estudos rea- lizados no âmbito da medicina convencional constataram que a aplicação do Reiki pode provocar melhora significativa nos pacientes: mudanças fisiológicas como, melhora do sistema imunológico e aumento nos níveis de hemoglobina. Constatou-se também uma melhora considerável no bem-estar emocional destes.

“A palavra Reiki é dividida em duas partes, REI ‘a energia do uni- verso’, onde estão inseridos todas as coisas e KI ‘energia vital’ a energia que vida ao corpo...”4 Consiste no direcionamento desta energia para o corpo da pessoa que recebe a aplicação. São empregados nesta técnica, símbolos especiais, que segundo seus adeptos, conferem mais poder ao tratamento. três níveis de iniciação, que são consideradas por seus eles sagradas e somente nos níveis mais altos que os praticantes recebem ins- truções quanto ao uso dos símbolos sagrados, recebidos por Usui em suas meditações. Uma vez que o Reiki lida com o sagrado nas relações com o espaço sagrado, com os rituais de iniciação, com o uso dos símbolos sagrados faz-se necessário um estudo dessas relações. Nossa pesquisa se encaixa na linha de espiritualidade e saúde, e conceitos como o de espiritualidade, sagrado, religião necessitam de uma minuciosa atenção. Adotaremos, por exemplo, a definição de espiritualidade proposto por Marcelo Saad, Danilo Masiero e Linamara Rizzo Battistella, que diz:

Espiritualidade é a propensão humana para encontrar um significado para a vida através de conceitos que transcendem o tangível, um sentido de conexão com algo maior que si próprio, que pode ou não incluir uma participação religiosa formal. [...] As implicações da espiritualidade na saúde vêm sendo estudadas cientificamente5.

3 USARSKI, Frank. Constituintes da Ciência da Religião: cinco ensaios em prol de uma disciplina autônoma. São Paulo: Paulinas, 2006. p. 52.

4 CARDOSO, Érica Cavalcanti. Reiki: terapia complementar no serviço de saúde. 2013. 36 f. Dissertação (Mestrado integrado em Ciências Farmacêuticas). Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Porto, 2013. p. VII.

Uma vez que estudando as “implicações da espiritualidade na saúde”, lidando com termos como religião, sagrado, reiki, espiritualidade, mas buscando uma não correspondência entre nosso tema e uma doutrina religiosa específica, buscaremos nas leituras propostas para elaboração deste artigo, definições e alternativas que se identifiquem e se relacione com nossa linha de pesquisa, mostrando assim a sua relação com o estudo das Ciências das Religiões.

O avanço das ciências da religião, na medida em que possibilitou a criação de conceitos e análises desvinculados de uma tradição religiosa específica, e, assim, de uma linguagem comum, está possibilitando a discussão mais ampla deste tema, de uma forma que supera parcialmente as usuais e tensas competições entre vários grupos religiosos6.

Iremos inicialmente, partir dos conceitos do termo religião, no qual faremos uma explanação por algumas abordagens e definições, na tentativa de encontrar uma definição que se aproxime do nosso estudo. Por fim, iremos tratar das relações existentes entre o reiki e o sagrado, verificando que o reiki apesar de ter uma conduta religiosa, não está necessariamente vinculado a uma religião.

 

2 A Religião e o sagrado

Na tentativa de definir o que é Religião, muitos pesquisadores das Ciências das Religiões se debruçaram no intuito de encontrar uma definição que se adequasse de maneira mais universal possível. Dis- cussões sobre termo religião, que tinha uma forte identificação com o cristianismo, e, portanto insuficiente do ponto de vista semântico, e uma vez que identificadas outras formas religiosas além do cristianismo, que é uma dentre tantas religiões presentes no planeta; entre estas  algu- mas, no continente indo-asiático, que remontam a épocas mais antigas do que a que viu o nascimento do cristianismo. [...], o termo “religião”, de matriz latina e assumido pela tradição do Ocidente, era apto a definir essas concepções do mundo  presentes, como perceberão os etnólogos do século seguinte, em todas as sociedades do globo – que ainda hoje continuamos a considerar justamente como religiosas, apesar de os termos “religião” e “religioso” serem totalmente estranhos à lingua- gem das culturas antigas (excluída a latino-romana) e, com mais razão ainda, extra europeias?7

 

5SAAD, Marcelo; MASIERO, Danilo; BATTISTELLA, Linamara Rizzo. Espiritualidade baseada em evidências. Acta Fasiátrica, São Paulo, ano 8, n. 3, p. 107-112, 2001.p. 108.

6VASCONCELOS, Eymard. Mourão. Espiritualidade na educação popular em saúde. Cad. Cedes, Campinas, vol. 29, n. 79, p. 323-334, 2009. p. 324.

Apesar do termo religião não configurar no vocabulário das outras civilizações, das outas religiões, vários significados foram atribuídos, concorrendo entre si, na tentativa de encontrar um significado que melhor se adequasse ao termo, de onde este termo derivaria: Cícero, Agostinho, Lactâncio, São Tomás são exemplos de pensadores que se esforçaram para determinar a melhor derivação deste termo. Contudo seus esforços mostraram “que a definição do termo não é possível nos moldes de uma definição objetiva, dada, mas permanece vinculada a um contexto histórico-cultural específico”8. Reforçando a ideia da improbabilidade de uma definição única do termo religião, Hans-Jürgen Greschat diz:

O que um termo quer dizer depende de sua definição. O esclarecimento do seu significado, pois deve informar o que caracteriza “religião” – mas está a dificuldade. Embora existam muitas definições de religião – algumas centenas, presumivelmente – e embora novas definições sejam lançadas permanentemente, até hoje não se chegou ao resultado esperado. Não uma definição que não seja rejeitada por, pelo menos, uma pessoa. [...] Procurando definições, pensadores cristãos têm algo cristão na mente e não se ocupam muito de religiões estrangeiras. Hin- dus, muçulmanos e outros fazem o mesmo, definindo religião de acordo com valores a que estão acostumados desde infância. Chegará o dia em que todos vão concordar com uma única definição? Isso é improvável9.

7FILORANO, Giovanni; PRANDI, Carlo. As ciências das religiões. São Paulo: Paulus, 1999. p. 254

8HOCK, Klauss. Introdução à Ciência da Religião. São Paulo: Loyola, 2010. p. 18.

9GRESCHAT, Hans-Jürgen. O que é Ciência da Religião? São Paulo: Paulinas, 2005.p. 20.

Porém foi na Reforma, quando o termo religião adquire uma co-notação crítica, sobretudo a respeito da identificação deste com a Igreja Católica, na qual se iniciou “uma tendência à generalização do termo religião que se impõe aos poucos, com o iluminismo. Num primeiro momento, ‘religião’ se torna algo que, de conceitual está por trás da diversidade das distintas religiões e, como termo, acima dessa diversi- dade” (HOCK, 2010, p. 19). Apesar de essa expressão ser insuficiente, complicada e atrelada ao contexto histórico-cultural europeu, ela serve de fundamentação e propõe abranger outros contextos histórico-culturais. É também no iluminismo que o enfoque volta-se para duas visões acerca da definição de religião: a primeira diz de uma definição essencialista ou substancialista, que pretende encontrar o que é comum a todas as religiões na sua essência; a segunda por sua vez, denominada de definição funcio- nalista, como o próprio termo sugere, busca uma função em comum às religiões, “quais estruturas têm em comum, independentemente de objetos e aspectos de conteúdos individuais, quais funções cumprem...” (HOCK, 2010, p. 23). Contudo, o enfoque para essas visões não conseguiu resol- ver o problema que era encontrar uma definição apropriada de religião: “Aparentemente, tanto definições substancialistas como funcionais de religião apresentam uma série de problemas que nos mostram com niti- dez que estamos provavelmente ainda longe de uma definição clara de ‘religião’” (HOCK, 2010, p. 26). Corroborando e complementando esse pensamento, Hans-Jürgen Greschat diz:

Quem elabora uma teoria sobre religião define o que entende por “re- ligião”. Não se pode questionar uma teoria logicamente construída contanto que se aceite a definição de religião em que tal teoria se baseia. [...]. O fato de não possuirmos uma definição universal de religião é um defeito, mas não uma catástrofe, uma vez que o objeto permanece e a qualidade de palavras inventadas ou a serem inventadas atinge o objeto apenas marginalmente. (GRESCHAT, 2005, p. 20-21).

Tendo em vista que o termo religião, ao que parece, devido à sua “insuficiência semântica”, não consegue dar conta de todas as civili- zações, adotaremos uma definição que se aproxima do nosso interesse neste artigo, que é uma “definição moderna de religião”, que combina em si tanto a visão essencialista como a visão funcionalista da religião, proposta pelo sociólogo americano Peter Ludwig Berger, na qual “a religião é uma obra humana através da qual é construído um cosmo sagrado” (FILORANO; PRANDI, 1999, p. 267). Sua definição não vincula a religião a uma doutrina. Para ele a religião e o sagrado são um “empreendimento humano, pois assim ela se manifesta como fenômeno empírico. [...] o sagrado é uma força misteriosa e reverencial, diferente do homem, mas relacionada com ele” (FILORANO; PRANDI, 1999, p.

266). Peter Ludwig Berger admite ter recorrido à Mircea Eliade e Rudolf Otto para embasar sua definição. Para ele, embora o sagrado seja apreendido como distinto do homem, refere-se ao homem, relacionando-se com ele de um modo em que não o fazem os outros fenômenos não-humanos (especificamente os fenômenos de natureza não-sagrada). Assim, o cosmos postulado pela religião trans- cende, e ao mesmo tempo inclui o homem. O homem enfrenta o sagrado como uma realidade imensamente poderosa distinta dele. Essa realidade a ele se dirige, no entanto, e coloca a sua vida numa ordem, dotada de significado10.

Coloquemo-nos, uma vez que encontrando uma definição que se aproxime à proposta deste artigo, em estabelecer uma relação entre o sagrado e o reiki. Inicialmente iremos tratar da distinção entre o sagrado e o profano e através da análise da obra de Mircea Eliade (1992) a relação entre o sagrado o reiki.

3 O sagrado e o Reiki

Em sua obra intitulada O Sagrado e o profano, Mircea Eliade (1992) discute o sagrado e o profano, a “manifestação do sagrado”, “sua história”, e esses “modos de ser no mundo”, obra que iremos utilizar como norteador para estabelecer essa relação entre o reiki e o sagrado.

Nesta obra, percebemos a distinção feita por ele entre o homem religioso e o homem não religioso diante dos aspectos acima citados usando vários exemplos em diversas culturas e religiões para destacar e distinguir o sagrado e o profano. Nesta distinção verificamos que seus exemplos nos mostram que não existe um comportamento totalmente dessacralizado e que até o homem considerado não religioso contem em si algumas características de religiosidade. Contudo iremos nos deter na visão do homem religioso para comparar como o sagrado é percebido e sua relação com o reiki. Limitarem-nos também, dentro da obra de Mircea Eliade a tratar de assuntos relacionados ao espaço sagrado e ao rito de passagem, visto que nosso tema é bastante extenso. Portanto nos limitaremos a tratar nessa correspondência alguns aspectos de sua obra com a literatura que trata acerca do reiki.

10 BERGER, Peter Ludwig. O dossel sagrado: elementos para uma teoria sociológica da religião. São Paulo: Paulinas, 1985. p. 39.

Peter Ludwig Berger (1985), conforme citamos no item anterior relaciona a religião a um “cosmos sagrado”. Nesta mesma obra ele dis- tingue o sagrado do profano:

Por sagrado entende-se aqui uma qualidade de poder misterioso e temeroso, distinto do homem e, todavia relacionado com ele, que se acredita residir em certos objetos da experiência. Essa qualidade pode ser atribuída a objetos naturais e artificiais, a animais, ou a homens, ou às objetivações da cultura humana. [...] Pode-se atribuir a mesma qualidade ao espaço e ao tempo, como nos lugares e tempos sagrados. [...] O sagrado é apreendido como algo que “salta para fora” das ro- tinas normais do dia a dia, como algo extraordinário e potencialmente perigoso, embora seus perigos possam ser domesticados e sua força aproveitada para as necessidades cotidianas. [...] Num certo nível, o antônimo de sagrado é o profano, que se define simplesmente como a ausência do caráter sagrado. São profanos todos os fenômenos que não “saltam fora” como sagrados. As rotinas da vida cotidiana são profa- nas a não ser que, por assim dizer, se prove o contrário, caso em que se admitem que estão impregnados, de um modo ou de outro, de poder sagrado (como no trabalho sagrado, por exemplo). Mesmo nesses casos, contudo, a qualidade sagrada atribuída aos acontecimentos ordinários da própria vida conserva o seu caráter extraordinário, um caráter que é tipicamente reafirmado através de vários ritos; a perda desse caráter equivale à secularização, isto é, a se conceber os acontecimentos como puramente profanos. A dicotomização da realidade em esferas sagrada e profana, conquanto relacionadas entre si, é intrínseca à especulação religiosa. Assim sendo, é obviamente importante para a análise do fe- nômeno religioso. (BERGER, 1985, p. 38-39).

Podemos perceber então que no sagrado, um “poder misterioso” que nos cerca e que podemos encontrar ao nosso redor, e que podemos encontrar essa “qualidade” tanto nos objetos como nos lugares, na na- tureza, e que podemos utilizar dessa “qualidade” para nosso proveito. Tudo pode conter uma aura sagrada ou não. “Em outras palavras, para aqueles que têm uma experiência religiosa, toda a Natureza é suscetível de revelar-se como sacralidade cósmica. O Cosmos, na sua totalidade, pode tornar-se uma hierofania”11.

Oposto ao sagrado está o profano, que não encontra essa aura de sa- cralidade ao seu redor, tampouco nas coisas e lugares, salvo àquelas em que haja provas.  

Verificamos também o aspecto da secularização, que é a perda do caráter de sacralidade. Contudo, neste artigo nos limitaremos a relacionar, conforme mencionamos acima, o sagrado e o reiki, sem adentramos nessa esfera de discussão sobre a secularização, apesar de estarmos relacionando também o profano.

 

11 ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. Tradução Rogério Fernandes. São Paulo: Martins Fontes, 1992. p. 13.

3.1 O espaço sagrado

Importante e inicial discussão feita por Mircea Eliade (1992) diz respeito ao espaço: o homem religioso distingue entre espaços sagrados e não sagrados, que uma “rotura”, que serve como um ponto de refe- rência, “um centro”, uma fundamentação ontológica, a partir do qual há a “Criação do mundo”, que se dá partir dessa “rotura” pois

vemos, portanto, em que medida a descoberta ou seja, a revelação do espaço sagrado tem um valor existencial para o homem religioso; porque nada pode começar, nada se pode fazer sem uma orientação prévia e toda orientação implica a aquisição de um ponto fixo. É por essa razão que o homem religioso sempre se esforçou por estabelecer-se no “Centro do Mundo”. Para viver no Mundo é preciso fundá-lo e nenhum mundo pode nascer no “caos” da homogeneidade e da relatividade do espaço profano. (ELIADE, 1992, p. 17).

Portanto, a criação do mundo para o homem religioso é também algo sagrado, uma vez que o mundo é criado a partir de uma “rotura” que separa o espaço sagrado e profano e nada pode “nascer no caos”. No que diz respeito às teofanias e sinais para o homem religioso existe nesse mundo sagrado um lugar que serve de “limiar”, um portal por assim dizer que separa os dois mundos, no qual a transcendência, a passagem do mundo do profano ao sagrado. Nesse portal existem “guardiões”, a exemplo como Eliade aponta de uma igreja ou uma casa, que são deuses e espíritos que proíbem a entrada tanto aos adversários humanos como às potências demoníacas e pestilenciais. [...] O limiar, a porta, mostra de uma maneira imediata e concreta a solução de continuidade do espaço; daí a sua grande importância religiosa, porque se trata de um símbolo e, ao mesmo tempo, de um veículo de passagem. (ELIADE, 1992, p. 19).

Para o homem religioso “todo espaço sagrado implica uma hie- rofania, uma irrupção do sagrado que tem como resultado destacar um território do meio cósmico que o envolve e o torna qualitativamente diferente” (ELIADE, 1992, p. 20). Contudo, quando essa hierofania não se manifesta, ele a evoca, pede um “sinal”, com a ajuda dos animais, por meio do sacrifício ter uma orientação e encontrar um lugar, tudo isso motivado pelo desejo do homem religioso de viver mais próximo do sagrado possível, de “viver no sagrado”, de “viver num mundo real e não numa ilusão”:

É por essa razão que se elaboraram técnicas de orientação, que são, propriamente falando, técnicas de construção do espaço sagrado. Mas não devemos acreditar que se trata de um trabalho humano, que é graças ao seu esforço que o homem consegue consagrar um espaço. Na reali- dade, o ritual pelo qual o homem constrói um espaço sagrado é eficiente à medida que ele reproduz a obra dos deuses. A fim de compreendermos melhor a necessidade de construir ritualmente o espaço sagrado, é pre- ciso insistir um pouco na concepção tradicional do “mundo”: então logo nos daremos conta de que o “mundo” todo é, para o homem religioso, um “mundo sagrado”. (ELIADE, 1992, p. 21).

Dessa maneira vemos como o homem religioso, segundo Mircea Eliade, percebe o espaço, o mundo ao seu redor, como ele se posiciona e quais os recursos que ele usa para “construir” o espaço sagrado. Nessa percepção de mundo ele distingue o cosmos do caos, no qual o cosmos é “todo território habitado” e portanto, é sagrado, pois para ser habitado é preciso que ele assim seja. O caos é um “outro mundo”, não habitável, o oposto do cosmos. Para se instalar em um determinado lugar, para “habitá-lo” é preciso consagrá-lo. Para ele existe um “centro do mundo”, um ponto de ligação entre o “Céu e a terra”, como um local sagrado, a “Montanha cósmica”: “Em termos cosmológicos, essa concepção reli- giosa traduz-se pela projeção do território privilegiado que é o nosso no cume da montanha cósmica” (ELIADE, 1992, p. 25). Assim, o homem religioso, segundo o autor, percebem o espaço, o mundo ao seu redor. Iremos usar como parâmetro suas investigações e compará-las à visão e ao pensamento reikiano.

O praticante do reiki percebe o espaço também como sagrado. O cosmo é sagrado. Temos como exemplo a Montanha sagrada, o monte Kurama, local o qual Mikao Usui em suas meditações compreendeu os símbolos sagrados do reiki: “Buscou retiro no Monte Kurama, a montanha sagrada, localizada a aproximadamente vinte e cinco quilômetros, ao norte, de Kyoto...”12.

Os adeptos do reiki vivenciam uma realidade sagrada, a vida para quem é praticante tem outra conotação. “Poder-se-ia dizer que a história das religiões desde as mais primitivas às mais elaboradas é constituída por um número considerável de hierofanias, pelas manifestações das realidades sagradas” (ELIADE, 1992, p. 13). Tomemos como exemplos os 5 princípios (Gokai) do reiki adotados a saber:

O método desconhecido que convida à felicidade

A terapia espiritual para todos os distúrbios da mente e do corpo Só por hoje

Não se zangue Não se preocupe

Expresse sua gratidão

Seja aplicado em seu trabalho Seja gentil com os outros

De manhã e à noite, sente-se em posição gasshô e repita estas pala- vras em voz alta para seu coração

Tratamento do corpo e da alma, Usui Reiki Ryoho O fundador Mikao Usui. (De’CARLI, 2014, p. 61).

Estes princípios são mais do que simples enunciados, são expres- sões de uma realidade viva, são incorporados, uma vez que os praticantes de reiki se sentem em unidade com o meio em que vivem, com a natureza, com o mundo, com o cosmos e percebem ou, pelo menos, compreendem o real significado de cada expressão. “Em outras palavras, para aqueles que têm uma experiência religiosa, toda a Natureza é suscetível de revelar-se como sacralidade cósmica. O Cosmos, na sua totalidade, pode tornar-se uma hierofania” (ELIADE, 1992, p. 13). O espaço, o local de morada com a aplicação do reiki, dessa energia cósmica universal, torna-se sa- grado. O uso dos símbolos sagrados do reiki, a imposição de mãos pode consagrar o lugar, torna-lo sagrado. “Conforme vimos, o símbolo não somente torna o Mundo ‘aberto’, mas também ajuda o homem religioso a alcançar o universal. Pois é graças aos símbolos que o homem sai de sua situação particular e se ‘abre’ para o geral e o universal” (ELIADE, 1992, p. 101-102).

12 De’CARLI, Johny. Reiki Universal. São Paulo: Butterfly, 2014. p. 35.

A prática do reiki, a imposição de mãos utilizada pelos pratican- tes do reiki, o que poderia ser considerada por uma pessoa que com “consciência moderna”, não passaria de um ato banal, uma besteira por assim dizer, que não produz efeitos, ou que produz o que na medicina convencional chama-se de efeito placebo.

Para a consciência moderna, um ato fisiológico – a alimentação, a sexualidade etc. não é, em suma, mais do que um fenômeno orgânico [...] Mas para o “primitivo” tal ato nunca é simplesmente fisiológico; é, ou pode tornar-se, um “sacramento”, quer dizer, uma comunhão com o sagrado. (ELIADE, 1992, p. 14).

Para os reikianos nome dado aos praticantes do reiki o ato de imposição de mãos, é mais do que a simples atitude: é um ato sagrado, é o direcionamento de uma energia cósmica universal, inteligente, reor- ganizadora que irá beneficiar o indivíduo que a recebe. O reikiano é um homem com o olhar “primitivo” dentro da sociedade moderna.

 

3.2 Ritos de passagem

Mircea Eliade (1992) aborda os ritos de passagem destacando a sua importância para o homem religioso. São mudanças na condição do homem, seja pela mudança da “faixa etária”, seja na passagem devido ao “nascimento, casamento e na morte, e pode se dizer que, em cada um desses casos, se trata sempre de uma iniciação, pois envolve sempre uma mudança radical de regime ontológico e estatuto social” (ELIADE, 1992, p. 89). Há cerimônias para cada iniciação:

Quanto aos rituais iniciáticos propriamente ditos, convém fazer uma distinção entre as iniciações da puberdade (faixa de idade) e as cerimô- nias de admissão numa sociedade secreta: a diferença mais importante reside no fato de que todos os adolescentes são obrigados a enfrentar a iniciação da idade, ao passo que as sociedades secretas são reservadas a um determinado número de adultos.

[...]

A iniciação comporta geralmente uma tripla revelação: a do sagrado, a da morte e a da sexualidade. [...] O iniciado não é apenas um “recém-nascido” ou um “ressuscitado”: é um homem que sabe, que conhece os mistérios, que teve revelações de ordem metafísica. [...] A iniciação equivale ao amadurecimento espiritual, e em toda a história religiosa da humanidade reencontramos sempre este tema: o iniciado, aquele que conheceu os mistérios, é aquele que sabe. (ELIADE, 1992, p. 90-91).

A iniciação do reiki pode ser vista em parte a partir da perspectiva de Eliade: trata-se sim de um momento sagrado:

A energia Reiki vem diretamente da mais alta Fonte Espiritual e as iniciações devem, portanto, ser tratadas com o maior respeito. A sinto- nização é um presente, um verdadeiro milagre. A iniciação no método Reiki, quando um novo reikiano é despertado, é um ritual sagrado de grande beleza. (De’CARLI, 2014, p. 107).

No processo iniciático um “amadurecimento espiritual”, no qual há uma “revelação”, há um despertamento consciencial, de uma potência energética, abre-se um “portal” que une o praticante do reiki a essa energia cósmica universal: “A partir do momento da iniciação, abre-se dentro da pessoa uma porta que, uma vez transposta, a introduz em uma nova realidade. Abre-se um mundo totalmente novo, diferente, que a princípio não acreditávamos poder existir” (De’CARLI, 2014, p. 99).

Precisamos destacar o caráter de simplicidade que não exclui a sacralidade desse momento. O momento de iniciação pode constituir de um ritual ou não, ficando a critério do Mestre reiki que irá realizar a iniciação do futuro praticante do reiki: “as iniciações podem ser da- das uma a uma e podem constituir um belo ritual, ou podem ser feitas rapidamente, sem nenhuma cerimônia. De qualquer forma, receber a iniciação é um presente mágico”13. Segundo Mircea Eliade a iniciação implica num “segundo nascimento”:

O nascimento iniciático implicava a morte para a existência profana. O esquema conservou-se tanto no hinduísmo como no budismo. [...] O Buda ensinava o caminho e os meios de morrer para a condição humana profana quer dizer, para a escravidão e a ignorância e renascer para a liberdade, para a beatitude e para o incondicionado do nirvana. [...] De uma religião a outra, de uma gnose ou sabedoria a outra, o tema imemorial do segundo nascimento enriquece se com novos valores, que mudam às vezes radicalmente o conteúdo da experiência. Permanece, porém, um elemento comum, um invariante, que se poderia definir da seguinte maneira: o acesso à vida espiritual implica sempre a morte para a condição profana, seguida de um novo nascimento. (ELIADE, 1992, p. 96).

13 STEIN, Diane. Reiki Essencial: manual completo sobre uma antiga arte de cura. São Paulo: Pensamento, 1995. p. 38.

 A iniciação do reiki pode ser vista um caminho para evolução espiritual, para acessar a vida espiritual. As atitudes do praticante do reiki visam uma conduta de vida buscando um equilíbrio e harmonia com tudo e todos ao seu redor. Ele experimenta uma sensação de unidade com o cosmos e percebe uma mudança, se descobre numa busca rumo à sua evolução espiritual.

4 Considerações finais

Neste artigo buscamos, após uma investigação dos textos suge- ridos para análise, encontrar uma definição do termo religião que se apresentasse em conformidade com nosso objeto de estudo: o reiki e o sagrado.

Citamos também a importância do estudo de outras culturas, como fator importante para a formação das Ciências das Religiões, uma área que vem abrindo mais as possibilidades para estudo e pesquisa de temas que não estejam vinculados a uma crença, doutrina específica, uma vez que nossa linha de pesquisa envolve a espiritualidade e saú- de e que não necessariamente tenha algum vínculo com uma religião específica.

Como discussão principal, nosso artigo tratou das relações entre o reiki e o sagrado. Visto que o assunto é muito amplo, nos limitamos a explorar as relações do sagrado dentro da obra de Mircea Eliade (1992) e tratar alguns tópicos: o espaço sagrado e o rito de passagem.

O Reiki, conforme citamos em nosso artigo, apesar de ter uma conduta religiosa possuir uma relação com o ambiente que o cerca de forma sagrada, na qual tudo é visto como uma manifestação do sagrado, perceber como a iniciação do reikiano tem em si aspectos de sacralidade –, é uma prática que fazia parte do Budismo. “O Budismo não prega a existência de um Deus ou Deusa, mas aceita as divindades da cultura local onde se encontra. É uma filosofia universal do Ser, e não um sistema de crenças” (STEIN, 1995, p. 221). Com isso, verificamos e confirmamos a sua não ligação com uma doutrina ou sistema de crenças: “... o reiki é sagrado, mas não é uma religião” (STEIN, 1995, p. 201). A conduta do praticante do reiki é norteada por uma relação de sacralidade com meio em que vive, pelo conhecimento de que ele é também um agente causador de tornar esse lugar sagrado. Seus princípios expressam uma conduta que visa a uma evolução espiritual, e são práticas constantes daquele que se insere e adota este modo de vida.

Como prática terapêutica, sua aplicação pode promover alívio de sintomas que vão desde questões emocionais e processos físicos. Quanto à investigação da eficiência da aplicação do reiki, estudamos no mestra- do como o Reiki, terapia complementar em saúde, trabalha os aspectos ligados às emoções e a sua eficiência terapêutica.

Referências

BERGER, Peter Ludwig. O dossel sagrado: elementos para uma teoria sociológica da religião. São Paulo: Paulinas, 1985.

CARDOSO, Érica Cavalcanti. Reiki: terapia complementar no serviço de saúde. 2013. 36 f. Dissertação (Mestrado integrado em Ciências Farma- cêuticas). Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Porto, 2013.

De’CARLI, Johny. Reiki Universal. São Paulo: Butterfly, 2014.

ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. Tradução Rogério Fernandes. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

GERBER, Richard. Um guia prático de Medicina Vibracional. São Paulo: Cultrix, 2000.

GERBER, Richard. Medicina Vibracional: Uma medicina para o futuro. São Paulo: Cultrix, 2007.

GRESCHAT, Hans-Jürgen. O que é Ciência da Religião? São Paulo: Paulinas, 2005.

HOCK, Klauss. Introdução à Ciência da Religião. São Paulo: Loyola, 2010.

FILORANO, Giovanni; PRANDI, Carlo. As ciências das religiões. São Paulo: Paulus, 1999.

SAAD, Marcelo; MASIERO, Danilo; BATTISTELLA, Linamara Rizzo. Espiritualidade baseada em evidências. Acta Fasiátrica, São Paulo, ano 8, n. 3, p. 107-112, 2001.

STEIN, Diane. Reiki Essencial: manual completo sobre uma antiga arte de cura. São Paulo: Pensamento, 1995.

VASCONCELOS, Eymard. Mourão. Espiritualidade na educação popu- lar em saúde. Cad. Cedes, Campinas, vol. 29, n. 79, p. 323-334, 2009.

USARSKI, Frank. Constituintes da Ciência da Religião: cinco ensaios em prol de uma disciplina autônoma. São Paulo: Paulinas, 2006.

 

Encontros Teológicos adere a uma Licença Creative Commons

Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Deixe seu comentário! Compartilhe!

Se desejar, siga nossas redes:

Instagram       YouTube     Facebook    Threads

Entrevista com Sensei Mikao Usui - Criador do Reiki


Esta é a única entrevista de Sensei Mikao Usui, criador do Reiki que há registro.  Ela consta dos livros  " Reiki: O Legado do Dr. Usui" e "Isto é Reiki" de autoria de Frank Arjava Petter.  

A transcrição que segue é a do livro " Reiki: O Legado do Dr. Usui" 

Entrevista com Sensei Mikao Usui

"As seguintes perguntas sobre Reiki foram respondidas pelo próprio Dr. Usui. A data exata e o nome do entrevistador não são mencionados. De acordo com a data que aparece no texto, sabemos que deve ter sido entre 1922 e 1926, ano da morte do Dr. Usui. Como o texto original tem cerca de 75 anos e foi escrito em japonês antigo, tivemos de fazer pequenas alterações a fim de que ficasse mais compreensível. Minhas notas foram colocadas entre parênteses. Chetna e eu fizemos a tradução para o inglês."

Porque ensino este método (Reiki) publicamente- explicação do fundador, Mikao Usui

Desde tempos imemoriais, é comum alguém descobrir uma lei original, secreta, e guardá-la para si mesmo ou ensiná-la apenas a seus descendentes.

Tal segredo é então usado como segurança para a vida desses descendentes. (“ Descendentes”, aqui significa não apenas a própria família da pessoa, mas também seus alunos. “ Segurança para a vida” tem o sentido de assegurar o próprio futuro financeiro).

O segredo não é transmitido a pessoas estranhas. Entretanto, esse é um costume antiquado do século passado, e, portanto, superado.

Atualmente, a felicidade da humanidade baseia-se no trabalho conjunto e no desejo de progresso social.

É por este motivo que eu jamais permitiria que uma pessoa guardasse o Reiki apenas para si mesma!

Nosso Reiki Ryoho é algo absolutamente original e não pode ser comparado com qualquer outro caminho espiritual no mundo.

É por isso que eu gostaria de tornar este método disponível ao público para o bem estar da humanidade. Cada um de nós tem o potencial de receber um dom da divindade que resulte na unidade do corpo e da alma. Com o Reiki, um número muito grande de pessoas experimentará a benção do divino.

Antes de qualquer coisa, nosso Reiki Ryoho é uma terapia original construída sobre o poder espiritual do universo.

Por meio dele, o ser humano se tornará primeiro saudável e depois ampliará sua paz de espírito e alegria de viver.

Hoje precisamos melhorar e reestruturar nossa vida de modo a podermos libertar nossos semelhantes da doença e do sofrimento emocional.

É esta a razão pela qual ouso ensinar livremente este método em público.

O que é o Usui Reiki Ryoho?

Com gratidão, nós recebemos os princípios (os Cinco Princípios do Reiki) prescritos pelo Imperador Meiji e vivemos de acordo com eles.

A fim de alcançarmos o caminho (espiritual) adequado para a humanidade, precisamos viver conforme estes princípios. Isso significa que devemos, com a prática, aprender a aperfeiçoar nosso espírito e corpo. Para tanto, primeiro precisamos curar o espírito, depois, tornamos o corpo saudável. Quando nossa mente se encontra no caminho da honestidade e da seriedade, o corpo torna-se totalmente saudável por si mesmo. Então, o corpo e a mente tornam-se um e vivemos nossa vida em paz e alegria. Curamos a nós mesmos e curamos as enfermidades dos outros, intensificando e aumentando nossa própria felicidade, assim como a de outras pessoas. Esta é a marca do Usui Reiki Ryoho.

 

Usui Reiki Ryoho é o mesmo que hipnoterapia, kiai jutsu (concentração do “Ki” no abdome, emitindo-se um grito) ou shinko ryoho (terapia religiosa) etc.? é uma forma semelhante de terapia com um nome diferente?

Não. Não é similar às formas de terapia que você mencionou.

Após muitos anos de treinamento árduo, descobri um segredo espiritual: este (Reiki) é um método para libertar o corpo e a mente.

______________________________

Aqui é usada a palavra japonesa kokoro. Em muitas traduções do japonês, ela é traduzida erroneamente como “coração”. Entretanto, essa é apenas metade da verdade. Nas culturas ocidentais, dividimos o espírito humano em duas partes: coração e cabeça, emoções e pensamentos. O japonês não faz essa diferença e considera o coração e a cabeça como uma unidade em que os dois se fundem.

Esta unidade é chamada de kokoro. Desejo que minhas emoções e meus pensamentos estejam sempre integrados como um só! Esta maneira completamente diferente de experienciar o mundo e a si mesmo tem consequências de longo alcance: se, por exemplo, perguntarmos a um japonês o que ele pensa ou sente, provavelmente não obteremos uma resposta clara, porque os limites entre sentimento e pensamento não são claramente definidos. Na seção “Autêntico ou Nào”, tratarei das diferenças culturais.

 

É (o Reiki) um shinrei ryoho (método psíquico e espiritual de cura)?

Correto. Poderíamos chamá-lo de shinrei ryoho. Contudo, também seria possível dar-lhe o nome de terapia física, uma vez que a energia e a luz irradiam-se de todas as partes do corpo da pessoa que está ministrando o tratamento.

A energia e a luz irradiam-se principalmente dos olhos, da boca e das mãos do terapeuta. Ao mesmo tempo, a pessoa que ministra o tratamento fixa os olhos por dois ou três minutos nas partes afetadas do corpo, sopra-as ou massageia-as suavemente.

Dores de dente, de cabeça, de estômago, inchaço no peito, dores nos nervos, contusões, cortes, queimaduras e assim por diante, simplesmente se curam.

Entretanto, doenças crônicas não são facilmente tratadas. O fato, contudo, é que mesmo um único tratamento tem efeito (positivo) sobre uma doença crônica.

Pergunto-me como este fenômeno pode ser explicado pela ciência médica. Bem, a realidade é sempre mais impressionante do que a ficção jamais poderia ser. Se você pudesse ver os resultados (de um tratamento de Reiki), teria de concordar comigo. Mesmo uma pessoa que não queira acreditar nele não pode negar a realidade (o resultado, a verdade).

 

É necessário acreditar no Usui Reiki Ryoho para que ocorra uma cura?

Não, uma vez que ele (Usui Reiki Ryoho) é diferente de quaisquer outros métodos psíquicos de cura, psicoterapia e hipnoterapia.

Consentimento e fé não são necessários, uma vez que ele (o Reiki) não trabalha com sugestões. Não faz diferença o fato de a pessoa ser desconfiada ou recusar-se a acreditar nele. Por exemplo: o Reiki funciona tão bem com crianças como com pessoas seriamente enfermas e inconscientes.

De dez pessoas, talvez uma venha confiante (no sucesso da cura) na primeira vez. Mas após seu primeiro tratamento, a maioria das pessoas já sentirá o efeito (positivo) e sua confiança crescerá (por conta própria).

 

Que problemas de saúde podem ser curados com a ajuda do Usui Reiki Ryoho?

Todas as doenças, sejam elas causadas por fatores psicológicos ou físicos, podem ser curadas com o Usui Reiki Ryoho.

 

O Usui Reiki Ryoho cura apensas doenças?

Não, não cura apenas doenças do corpo físico. Pode também curar maus hábitos e distúrbios psicológicos como desespero, fraqueza (no sentido de fraqueza de caráter), covardia, dificuldade para tomar decisões e nervosismo.

Com isto (com a energia Reiki), o espírito (kokoro) torna-se semelhante a Deus ou Buda e nós desenvolvemos a meta de curarmos nossos semelhantes nesta vida. É assim (pela semelhança com Buda) que trazemos felicidade a nós e aos outros.

 

Como o Usui Reiki Ryoho cura?

Eu não fui iniciado neste método por nenhuma pessoa no universo. Também não precisei fazer esforço para adquirir poderes de cura supranormais (sddhis). Enquanto jejuava, entrei em contato com uma energia intensa e, de um modo misterioso, fui inspirado (recebi a energia Reiki). Tornou-se claro para mim que eu recebera a arte espiritual da cura. Embora eu seja o fundador deste método, acho difícil explicar isto de uma forma mais precisa. Médicos e estudiosos fazem pesquisas apaixonadas (neste campo), mas tem sido difícil (até agora) chegar a uma conclusão baseada na ciência medica. Vai chegar a hora em que (o Reiki) se encontrará com a ciência.

 

O Usui Reiki Ryoho usa medicamentos? Há algum tipo de efeito colateral?

Não usa nem medicamentos nem instrumentos. Usa somente o olhar, o sopro, batidas (leves) e toque (nas partes afetadas do corpo). É isso que cura as doenças.

 

Uma pessoa necessita de conhecimentos médicos para aplicar o Usui Reiki Ryoho?

Nosso ryoho (método de cura) é um método espiritual que vai além da ciência médica. Não é, portanto, baseado nela.

Quando você olha, sopra, toca ou bate levemente na parte afetada do corpo, alcança a meta desejada. Por exemplo: você toca a cabeça quando deseja tratar o cérebro, o abdome quando quer tratar o abdome e os olhos quando quiser tratar os olhos. Não se administram medicamentos amargos nem se usa moxabustão, e a pessoa ficará boa novamente dentro de pouco tempo. É por isso que este ryoho (método espiritual) é nossa criação original.

 

Como médicos renomados o vêem (o Usui Reiki Ryoho)?

As autoridades neste campo parecem (na avaliação do Usui Reiki Ryoho) ser muito justas. (Atualmente) médicos europeus muito conhecidos estão criticando as receitas de medicamentos. O Dr. Sem Nagai, da Universidade Médica de Teikoku, disse: “Nós, médicos, sabemos diagnosticar uma doença, registrá-la empiricamente e compreendê-la, mas não sabemos como tratá-la”.

O Dr. Kondo (outro médico) afirmou: “É uma arrogância dizer que a medicina moderna negligencia o equilíbrio espiritual (do paciente). Esta é sua grande desvantagem”. O Dr. Sakae

______________________________

A moxabustão, uma arte de cura empregada no Tibete, China e Japão, usa uma filosofia e uma técnica semelhantes às da acupuntura. Entretanto, nenhuma agulha é inserida no corpo, mas uma pequena quantidade de mogusa (erva moxa, um tipo de absinto) é queimada sobre certos meridianos e pontos de acupuntura, em sequencia e frequência específicas.

Hara disse: “É uma impertinência tratar um ser humano, que possui sabedoria espiritual, como um animal. Creio que podemos contar com uma grande revolução no campo da terapia no futuro”.

O Dr. Rokura Kuga afirmou: “É um fato que não-médicos (terapeutas) têm aplicado uma série de terapias, como a psicoterapia, com um grau de sucesso que não foi atingido nem mesmo pelas faculdades de medicina, porque esses terapeutas incluem o caráter, os sintomas pessoais do paciente e muitos métodos diferentes (de cura) em seus tratamentos.

“Se eles (os médicos associados a faculdades de medicina) rejeitarem cegamente os terapeutas e psicoterapeutas (que não são associados) e tentarem impedi-los de realizar seu trabalho, estariam demonstrando uma mentalidade muito fechada”.

 

O que o governo pensa disso (do Usui Reiki Ryoho)?

No dia 6 de fevereiro do décimo primeiro ano do período Taisho (1922), o representante Teiji Matsushita fez a seguinte pergunta na reunião do Parlamento Federal para tratar do orçamento: “Qual a posição do governo sobre terapeutas que atualmente praticam psicoterapia e terapia espiritual (como o da Usui Reiki Ryoho) sem licença (médica)?”.

O Sr. Ushio, do comitê do governo, respondeu o seguinte: “A hipnoterapia e similares (formas semelhantes de terapia) foram julgadas como formas nocivas de terapia há mais de dez anos, mas hoje têm sido mais intensamente pesquisadas e aplicadas com eficácia na psiquiatria. É difícil resolver todas as enfermidades humanas sem medicamentos. Os médicos seguem certos caminhos, que se baseiam em princípios científicos, a fim de curar as doenças. O uso do toque e da eletroterapia para combater doenças não faz parte dos métodos de cura da faculdade de medicina”.

É por esse motivo que o Usui Reiki Ryoho não está sujeito nem às leis que se aplicam à faculdade de medicina nem às que se referem à acupuntura e moxabustão.


Neste tipo de terapia, as habilidades espirituais de cura são dadas apenas às pessoas que se desenvolveram espiritualmente a partir do seu nascimento. Não creio que alguém possa aprender isso. Ou o senhor acha que sim?

Não, não.

Todos os serem humanos em quem a vida sopra receberam, como dádiva, a habilidade espiritual de curar-se. O mesmo se aplica às plantas, aos animais, aos peixes e aos insetos.

Os seres humanos, porém, que representam o ponto culminante da Criação, têm o maior poder. O Usui Reiki Ryoho apareceu no mundo para tornar isto (o poder dado aos seres humanos em seu caminho) utilizável.

______________________________

Nihon Iji Shinpo” (diário médico com o título de Notícias Japonesas sobre a Medicina

Em japonês, uma pergunta que alguém deseja responder com “sim” é as vezes respondida com “não”. Essa é uma sutileza da língua.

 

Qualquer pessoa pode ser iniciada no Usui Reiki Ryoho?

Naturalmente. Homens e mulheres, idosos e jovens, médicos e pessoas sem cultura que vivem de acordo com os princípios morais, podem certamente aprender em pouco tempo a curar-se e curar outras pessoas. Até hoje, já iniciei mais de mil pessoas, e nenhuma delas deixou de alcançar o resultado desejado. Todos, mesmo os que acabaram de aprender o Shoden (Nível 1), aparentemente receberam a habilidade de curar doenças. Se pensarmos a respeito, parece muito estranho que possamos aprender a curar em tão pouco tempo, pois é a coisa mais difícil (do mundo) para os seres humanos. Até eu acho isso incrível. Esta é a característica de nosso método de cura espiritual; podermos aprender algo tão difícil de um modo tão simples.


Com ele (o Usui Reiki Ryoho) outras pessoas podem ser curadas. Mas e a própria pessoa? Pode uma pessoa também curar seus próprios distúrbios de saúde?

Se não podemos curar nossas próprias doenças, como poderemos curar os outros?

 

O que precisa ser feito para aprender o Okuden (Nível 2)?

O Okuden consiste em um número de métodos (de cura): Hatsuleiho, (leves) pancadinhas, batidinhas, pressão com as mãos, cura à distância, cura de hábitos (cura mental), e assim por diante. Primeiro aprenda o Shoden, e quando me trouxer (a mim, o professor) bons resultados, comportar-se adequada, honesta e moralmente, demonstrando entusiasmo (pelo Reiki), então será iniciado (no Okuden).

Há mais ainda (para ser aprendido) no Reiki Ryoho do que o Okuden?
Há (ainda) Shinpiden (o nível mais alto).

A entrevista acaba aqui.

PETTER, Frank Arjava. Reiki: O Legado do Dr. Usui. Tradução de Ana Glaucia P. Ceciliato. São Paulo: Editora Ground. p. 19-26. 2002

Deixe seu comentário! Compartilhe!

Se desejar, siga nossas redes:

Instagram       YouTube     Facebook    Threads

A Carta do Chefe Seattle


Em 1854, o Governo dos Estados Unidos propôs comprar uma ampla extensão de terra dos índios, prometendo criar, em troca, uma reserva indígena. A resposta, atribuída ao Chefe Seattle, aqui transcrita integralmente, tem sido considerada a mais bela e profunda declaração jamais feita sobre o meio ambiente.

“Como se pode comprar ou vender o firmamento ou mesmo o calor da terra? Esta idéia nos é desconhecida”. 

Se não somos donos da frescura do ar, nem do reflexo das águas, como vocês poderão comprá-los? Cada parcela desta terra é sagrada para meu povo. 

Cada verdejante mata de pinho, cada grão de areia das praias, cada gota de orvalho nos bosques escuros, cada montanha e até o ruído de cada inseto são sagrados para a memória e o passado do meu povo. A seiva que circula pelas veias das árvores leva consigo a memória dos peles-vermelhas. 

Os homens brancos que morrem esquecem seu país de origem quando passeiam entre as estrelas; no entanto, nossos mortos nunca podem esquecer esta terra bondosa, já que ela é a mãe dos peles-vermelhas. Somos parte da terra, assim como ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o veado, o cavalo, a grande águia, nossos irmãos. As montanhas íngremes, os campos úmidos, o calor do corpo do cavalo e o homem, todos pertencem à mesma família. 

Por tudo isso, quando o Grande Chefe de Washington nos envia esta mensagem, dizendo que quer comprar nossas terras, nos está pedindo demasiado. O Grande Chefe também diz que nos será reservado um lugar para que possamos viver confortavelmente. Ele se converterá em nosso pai e nós em seus filhos. 

Por isso, estudamos a sua oferta de comprar nossas terras. Isto não é fácil, já que esta terra é sagrada para nosso povo. 

A água cristalina que corre pelos rios e riachos não é somente água; ela também representa o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, deverão sempre se lembrar que ela é sagrada e, por sua vez, também deverão ensinar a seus filhos que é sagrada e que cada reflexo fantasmagórico das águas claras dos lagos conta os sucessos e memórias da vida de nossa gente. O murmúrio da água é a voz do pai do meu pai. Os rios são nossos irmãos e saciam nossa sede; levam nossas canoas e alimentam nossos filhos. 

Se lhes vendermos nossas terras, vocês deverão lembrar sempre e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e que, também, são irmãos de vocês e, portanto, deverão tratá-los como o mesmo carinho com que se trata um irmão. 

Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de vida. Ele não sabe distinguir um pedaço de terra de outro, já que é um estranho que chega de noite e toma da terra aquilo que necessita. A terra não é sua irmã, mas, sim, sua inimiga. Uma vez conquistada a terra, o homem branco segue seu caminho, deixando atrás de si o túmulo dos seus pais, sem se importar com isso. E nega a terra a seus filhos. Tampouco se importa com isto. Tanto o túmulo de seus pais, como o patrimônio dos seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a Terra e seu irmão, o Céu, como objetos que se compram e se vendem, como ovelhas ou contas coloridas. 

Seu apetite devorará a terra, deixando atrás de si apenas um deserto. 

Não sei, mas o nosso modo de vida é diferente do de vocês. A simples visão de suas cidades causa pena aos olhos do pele-vermelha. Talvez seja porque o pele-vermelha seja um selvagem e não compreenda nada. 

Não existe um lugar tranqüilo nas cidades do homem branco, nem há local onde se possa escutar o abrir das folhas das árvores na primavera, ou o vôo dos insetos. Mas, talvez, isso também seja porque eu sou um selvagem que não compreende nada. 

O ruído gratuito parece insultar nossos ouvidos. Além do mais, para que serve a vida se o homem não pode escutar o grito solitário do noitibó, nem as discussões noturnas das rãs à beira dos alagados? Sou um pele vermelha e não entendo nada. 

Nós preferimos o sussurro suave do vento sobre a superfície de um lago, assim como o odor desse mesmo vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com aroma de pinho. O ar tem um valor inestimável para o pele-vermelha, já que todos os seres compartilham o mesmo ambiente: o animal, a árvore e o homem, todos respiramos o mesmo ar. 

O homem branco não parece consciente do ar que respira: como um moribundo que vem agonizando há muitos dias, é insensível ao que lhe rodeia. 

Mas, se lhes vendermos nossas terras, deverão se lembrar de que o ar nos é inestimável, de que o ar compartilha seu espírito com a vida que sustenta. O vento, que deu a nossos avós o primeiro sopro de vida, também recebe seus últimos suspiros. E se lhes vendermos nossas terras, vocês deverão conservá-las como coisa muito especial e sagrada, como um lugar onde até o homem branco possa saborear o vento perfumado pelas flores das pradarias. 

Por isso, consideramos sua oferta de comprar nossas terras. Se decidirmos aceitá-la, eu colocarei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo outro modo de vida. 

Tenho visto milhares de búfalos apodrecendo nas pradarias, mortos a tiros pelo homem branco, de dentro de um trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como uma máquina a vapor pode ser mais importante que o búfalo que nós matamos somente para sobreviver. 

Que seria do homem sem os animais? Se todos os animais fossem exterminados, o homem também morreria de uma grande solidão espiritual. Porque o que acontecer com os animais, também acontecerá aos homens. 

Tudo está entrelaçado. 

Deverão ensinar a seus filhos que o solo em que pisam é formado de cinzas dos nossos avós. Inculquem em seus filhos que a terra está enriquecida com a vida de nossos semelhantes, a fim de que saibam respeitá-la. Ensinem a seus filhos o que nós temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer com a terra acontecerá aos filhos da terra. Se os homens estragam o solo, estragam a si mesmos. 

Isto nós sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos. Tudo está entrelaçado como o sangue une a família. 

Tudo está entrelaçado. 

Tudo o que acontecer à terra, ocorrerá a seus filhos. O homem não teceu a trama da vida, ele é só um elo: o que ele faz à trama, ele faz a si mesmo. 

Nem sequer o homem branco, cujo Deus passeia e fala com ele de amigo para amigo, está isento do destino comum. Depois de tudo, talvez sejamos irmãos. Logo veremos. 

Sabemos de uma coisa que talvez o homem branco descubra um dia: nosso Deus é o mesmo Deus de vocês. Vocês podem pensar hoje que Ele lhes pertence, do mesmo modo que desejam que nossas terras lhes pertençam; mas não é assim. Ele é o Deus de todos os homens e sua compaixão se divide por igual entre os peles-vermelhas e o homem branco. Esta terra tem um valor inestimável para Ele e, se vier a ser destruída, provocará a ira do Criador. 

Também os brancos se extinguirão antes, quem sabe, que as nossas tribos. Contaminem o leito dos rios e uma noite morrerão afogados em seus próprios resíduos. 

Porém vocês caminharão até a destruição, rodeados de glória, inspirados pela força do Deus que lhes trouxe a esta terra e que, por algum desígnio especial, lhes deu domínio sobre ela e sobre o pele-vermelha. Este destino é um mistério para nós, pois não entendemos porque se exterminam os búfalos, se domam os cavalos selvagens, se saturam os cantos secretos dos bosques com o hálito de tantos homens e se entulham a paisagem das colinas exuberantes com fios que falam. Onde está a mata? Destruída. Onde está a águia? Desapareceu. Termina a vida e inicia a sobrevivência."




Leia mais a respeito aqui

Deixe seu comentário! Compartilhe!

Se desejar, siga nossas redes:

Instagram       YouTube     Facebook    Threads

Dia do Massoterapeuta


 



              25 de Maio -  Dia do Massoterapeuta / Massagista 


A Massoterapia sustentou meus sonhos! Já cheguei em Florianópolis  formado nessa atividade. Levou um ano para ter meu primeiro emprego na área aqui, em 1994. Paguei o preço da escolha de ser autônomo e defender a vida fazendo o que se gosta. Assim, minhas incursões CLT por aqui, foram na área. Em 1994 no então SPA da Praia Mole, 1995 a 1998 em Clínicas de Fisioterapia (Ortofisioterapia e Fisiotec) e de 2000 a 2006 no Resort Costão do Santinho. Fora esse tempo tive incursões no tradicional Espaço Alternativo, salas , uma delas no centro, junto a um espaço com salão de beleza e centro técnico da Payot (lembranças de amigos queridos) e na Atman Amara, desde sempre conectado. Atendi em hotéis, como o Hotel da Lagoa, que nem existe mais, e salas e em domicílio. Eventos como Clínicas de Tênis, Iron Man, Mercosul, e tantas outras experiências.

No Resort dei a volta ao mundo com a massagem, atendendo pessoas de todos os continentes, artistas e celebridades. (Tempos que não era tão fácil tirar selfies) Tive a oportunidade de atender todas as faixas etárias. Lembro de um dia que fiz a primeira massagem em um menino de 7 anos e em um senhor de 101. Muitas vivências e histórias para contar.

Nesse tempo todo fui aluno de Mestres Incríveis, Sílvia Smaniotto, Elizabeth Yamada, Uberto Gama, Ida Zaslavsky, Ralph Vianna, Jorys Marengo, Juarez Andersen, Adriana Mayeves, Rafael Moritz, entre outros e trabalhei com parceiros mestres maravilhosos Sr Adílson Faria, Dona Dina, Carla Storchi. Claro, além dos fisioterapeutas. E nesse tempo todo a massoterapia abria caminhos e sustentava minhas formações no que fui integrando para criar um trabalho mais completo, Auxiliar de Enfermagem, o Reiki, a Unipaz, e outras abordagens terapêuticas de tudo que faço hoje. Minhas atividades como Terapeuta e Educador estão ai no perfil.

A Massoterapia não está no centro do que faço hoje, como Terapeuta, Arteterapia, Psicoterapia, mas fundamenta e sempre está presente na Jairo Salles - Cuidado Integral. Foi minha primeira ponte para o autocuidado e o cuidado com pessoas e sou profundamente grato por esse caminho.

Atravessei nesses 30 e poucos anos todos os modismos que apareceram. Quando somente autônomo a gente anunciava em jornal haha.... Fui construindo presença e quando sai da hotelaria foi uma retomada do território na cidade já que no turismo, meus clientes estavam espalhados pelo mundo e fiquei uns 10 anos nesse meio, mas essa é outra história.
Enfim, celebro! Parabéns a todos os massoterapeutas, massagistas, é um cuidado de muita entrega.
Grato a cada professor, parceiro e cliente. Sempre que todo as costas de alguém, experimento um sentimento do quanto é valioso tocar e que tem pessoas que passam pela vida e não tem a oportunidade de vivenciar um cuidado atento, sem pressa, dissolvendo tensões guardadas a tempo, e que guardam mais do que se imagina.
Bom, se nunca recebeu meu toque, dê um alô antes que eu me aposente haha

Jairo Salles

Deixe seu comentário! Compartilhe!

Se desejar, siga nossas redes:

Instagram       YouTube     Facebook    Threads








Cuidado Integral - Corpo - Texto Sagrado - UFSC

No semestre 2026/1 estou facilitando junto ao Projeto Práticas Corporais no  Núcleo de Integração Multicultural Popular Esportivo (NIMPE) o ...